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quinta-feira, 21 de junho de 2018

Fim de trimestre

Na última semana acabou mais um trimestre na minha escola e eu finalizei um trimestre lindo com os meus alunos. Definitivamente sou uma apaixonada por dar aula e estou amando muito a minha turma de 4º ano deste ano. Eles são críticos, participativos, empáticos, solidários e estão sempre dispostos a embarcar junto comigo numa viagem para aprender.
Nesse trimestre demos início ao nosso projeto de aprendizagem sobre as meninas no futebol. Tudo começou com uma música da MC Sophia, "Brincadeira de menina", eles então começaram a questionar as brincadeiras de menina até que chegamos no futebol, passando por conceitos complexos como machismo e feminismo.
Mais adiante pretendo falar um pouco mais do projeto, mas por hora já posso dizer que estamos aprendendo muito, nos reconhecendo, enxergando e questionando um pouco mais essa sociedade patriarcal e cheia de desamor.


As tecnologias e a aprendizagem

      Logo no início das nossas aulas de Educação e Tecnologias da Informação e da Comunicação o professor propôs que pensássemos nas tecnologias do nosso tempo de estudantes da educação básica e a partir disso montamos uma linha do tempo e refletimos um pouco a respeito das tecnologias dentro da escola, a sua evolução e os desafios de se trabalhar com ela dentro de instituições tão precárias de infraestrutura.
        Basicamente todas nós dentro de um grupo de três alunas tínhamos acesso às mesmas tecnologias e ao realizar um comparativo com o agora, pudemos perceber que, apesar da tecnologia estar muito avançada, ela ainda não chega ao alcance de todos, seja dentro ou fora da escola.
      A charge acima ilustra um pouco a questão da tecnologia em sala de aula e dá indícios do quanto as duas ainda estão distantes, do quanto o acesso a ela ainda é precário dentro da escola e o quanto ela poderia conectar os alunos com o mundo aqui fora.

domingo, 6 de maio de 2018

A escola possível



           
A escola como conhecemos hoje não surgiu do nada e nem tampouco para nada. A sua engrenagem, desde o seu início vem sendo montada com objetivos muito claros para quem a concebeu e que servem somente aos interesses de uma minoria branca, rica e patriarcal. Desde então tentam fazer com que a escola seja natural a tal ponto que seja impensável a possibilidade de questioná-la “Isto explica por que muitas críticas mais ou menos radicais à instituição escolar são imediatamente identificadas com concepções quiméricas que levam ao caos e ao irracionalismo.” (VARELLA, 1992, p.2).
            Essa escola começou a tomar forma quando a infância ganhou novas cores e nuances, quando a mesma foi inventada, isso por volta do século XVI, por religiosos os quais a definiram nada alheia aos interesses dos seus apostolados, procurando doutrinar aqueles seres indefesos, maleáveis, fracos de juízo e rudes. Foi então que a partir da definição de um estatuto da infância que se permitiu o aparecimento da escola nacional. Contudo, a infância para as classes populares não era pensada da mesma maneira que para as classes mais abastadas, assim, desde seus primórdios, “A educação será um dos instrumentos chave utilizados para naturalizar uma sociedade de classes ou estamentos” (página 4 maquinaria)
            Desta maneira, com uma sociedade que excluía as crianças das classes mais populares, a partir do século XIX quando a escola começa a ser obrigatória, a história da exclusão dentro da sociedade continua sendo reproduzida dentro dessa instituição, com professores que menosprezavam “a cultura das classes humildes, seus hábitos e costumes, desprezo reforçado e justificado pelos cursos da Escola Normal” (p.14). Ao pensarmos então na ação pedagógica dentro desse modelo de escola encontramos um “professor que não possui tanto saber, mas técnicas de domesticação, métodos para condicionar e manter a ordem; não transmite tanto conhecimento, mas uma moral adquirida em sua própria carne na sua passagem pela Escola Normal” (VARELLA, 1992, p.14).
            Essa ação pedagógica que foi caracterizada anteriormente, está baseada no empirismo, onde o professor fala e o aluno apenas executa, o professor é detentor do saber, o conhecimento é apenas transmitido para o aluno, o qual é considerado como uma tábula rasa,
Como se vê, esta pedagogia, legitimada pela epistemologia empirista, configura o próprio quadro da reprodução da ideologia; reprodução do autoritarismo, da coação, da heteronomia, da subserviência, do silêncio, da morte da crítica, da criatividade, da curiosidade. Nessa sala de aula, nada de novo acontece: velhas perguntas são respondidas com velhas respostas. A certeza do futuro está na reprodução pura e simples do passado. A disciplina escolar – que tantas vítimas já produziu – é exercida com todo rigor, sem nenhum sentimento de culpa, pois há uma epistemologia, uma psicologia (da qual não falamos aqui) e uma pedagogia que a legitimam. O aluno, egresso dessa escola, será bem recebido no mercado de trabalho (BECKER, 1994, p.3).
            Infelizmente, essa pedagogia ainda ronda os corredores das nossas escolas e continua tornando as nossas crianças marginalizadas, formando robôs prontos para apenas obedecer. Como bem sabemos, essa intenção de colocar para funcionar uma engrenagem assim serve somente aos interesses dos que detém o poder sócio-econômico-político, ou seja, essa intenção, essa política é ideológica.
            Contudo, ainda assim é possível deslocar as peças dessa maquinaria, o que se torna viável se além de vermos esse sistema e nos indignarmos com ele, enxergamos o mesmo de fato, refletindo a respeito e fazer com que nossos alunos também reflitam. Um caminho para isso é através de uma proposta construtivista, na qual o professor acredita que o aluno construirá algum conhecimento novo se ele agir e problematizar a sua ação, onde esse aluno não é visto como uma tábula rasa, mas um amontoado de conhecimento prévio apto a fazer novas descobertas, assim
O resultado dessa sala de aula é a construção e a descoberta do novo, é a criação de uma atitude de busca, e de coragem que esta busca exige. Esta sala de aula não reproduz o passado pelo passado, mas debruça-se sobre o passado porque aí se encontra o embrião do futuro” (Becker, 1994, p. 12)
            Assim sendo, somente a partir de uma sala de aula onde se garanta um espaço baseado numa relação horizontal entre professor e aluno, onde haja parceria e diálogo como o próprio Freire (1991) nos diz que é nele que se “enfatiza a reflexão, a investigação crítica, a análise, a interpretação e a reorganização do conhecimento”, onde o professor é mediador das relações interpessoais e facilitador do descobrimento, que se pode construir uma escola efetivamente democrática,
             O que mais precisamos fazer é nos munir de argumentos, de olhares críticos sobre o que está posto, precisamos burlar o sistema, ir além dele, jogar luz nas nossas salas de aula e enchê-las de questionamentos, de criticidade, de desafios, enchê-las de conhecimento, mas principalmente de alunos pensantes, formar cidadãos reflexivos a tal ponto de não  reproduzirem um sistema falido que exclui, que enxota, que é desigual e injusto. Que a diferença comece por aquele projeto do qual os alunos sempre vão se lembrar que participaram na sua aula, daquela atividade simples em que colocaram o corpo em movimento, daquela troca gostosa, daquele olho no olho.

domingo, 17 de julho de 2016

Musicando

      Estreitei mais os laços com a música no início do ano um pouco antes de retornarmos das férias, pois quando o meu filho estranhava algum lugar e engatava o choro a única coisa que o acalmava era eu cantar para ele.
      Outro momento com a música foi quando ao final da minha licença maternidade fui chamada na prefeitura de Porto Alegre e fui locada na escola Heitor Villa Lobos a qual tem um trabalho lindo de inclusão social com a música. Abaixo há um trecho do documentário sobre a Orquestra Villa Lobos e a comunidade onde leciono.
     Sendo assim, interdisciplina de Música veio para brindar esse momento ampliando meus horizontes a respeito da música na escola, considerando a ideia de ler uma partitura, mesmo sem saber ler uma única nota musical.



quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

A máquina de fabricar gente

         O texto "Maquinaria Escolar" que lemos na interdisciplina de Escolarização descreve o início da escola e o que isso implicou. Como a infância era vista nas classes populares foi uma das mudanças que esse momento trouxe, afinal se a escola tinha aberto as portas para essas crianças, elas precisavam, no mínimo, parar de trabalhar e começar a frequentar outros lugares que não os bares junto com os adultos.
          Apesar de acolher essas crianças, essa escola não era nada acolhedora. Essa maquinaria escolar estava a serviço da burguesia e servia aos seus interesses tendo como finalidade formar empregados obedientes, domesticá-los desde cedo. Essa escola lembra muito aquela reproduzida no clipe da música "Another Brick In The Wall" (Pink Floyd): uma fábrica que fabricava crianças obedientes a larga escala.
           Mas entre essa maquinaria escolar e a nossa escola nos dias de hoje há alguma distância? Esta escola que aí está posta não pretende domesticar também? Ela tem feito nossos alunos pensar? Afinal, ela está servindo aos interesses de quem?