domingo, 9 de julho de 2017

Sou Villa

        No início do ano passado passei por um grande desafio na minha vida profissional: dar um novo recomeço na minha carreira em uma nova rede de ensino, a rede municipal de Porto Alegre. Apesar de já ter oito anos de experiência como professora, assumir esse concurso, ir lecionar na periferia de Porto Alegre e dar de cara com a realidade muito sofrida da maioria da minha turma do ano passado foi tenso, muito tenso e desafiador, eu tive que me redescobrir como professora, revisitar a minha identidade, o que não foi um processo nada fácil.
        Contudo, em meio a tanta dificuldade, eu encontrei uma equipe diretiva que me acolheu,  uma equipe pedagógica que me orientou e colegas que me deram apoio para continuar, que o caminho, por mais difícil que fosse eu conseguiria trilhar, o que mais me motivou a seguir firme e forte e continuar nesse ano na mesma escola muito feliz com as minhas escolhas foi um ambiente onde eu pertenço, onde eu faço parte das escolhas, onde eu tenho voz, foi uma gestão democrática que abre espaço para eu crescer profissionalmente.
           Muitas vezes, quando estamos em escolas onde não há esse espaço de fala, podemos até não perceber, mas não há um sentimento de pertencimento àquela escola, àquele ambiente, o que é de extrema importância para que possamos fazer a diferença naquele lugar, na vida daquelas pessoas, envolvendo-se de fato com elas. Sinto-me muito envolvida com o Villa, sou Villa.

Será?


      E fica o questionamento: quais são as nossas expectativas quanto aos nossos alunos? Será que a Educação Infantil, na "obrigação" de entregar uma avaliação semestral não acaba cobrando demais dos pequenos? Será que estamos deixando que essas crianças sejam apenas crianças?

sábado, 8 de julho de 2017

"Pra que Grêmio Estudantil?"

         A frase que dá título a essa postagem muito escutei há algum tempo atrás quando estive atuando na equipe diretiva de uma escola. A diretora não via necessidade de dar voz àqueles alunos, não queria intervenção deles. Ai se reclamassem: erguia a voz e esbravejava.
       O que víamos como resultado era uma escola cada vez mais depredada, alunos desmotivados, inclusive com a própria formatura. Eu e mais uma colega da equipe pedagógica tentávamos abrir essa possibilidade, mas éramos barradas pela diretora por ela não concordar com o projeto de dar voz aos alunos.
...é necessário criar condições concretas para que essa participação ocorra de fato, para que a classe trabalhadora tenha condições de se apropriar da escola e que a escola, por sua vez, se esforce para democratizar o saber sem que isso lhe seja imposto, para que todos tenham condições de intervir com segurança e autonomia (Galina).
        Sendo assim, as condições supracitadas não aconteciam, nem no Conselho Escolar, onde as reuniões eram no horário em que os pais estavam, em sua maioria trabalhando, nem tampouco na proposta de se criar um Grêmio Estudantil, pois esse não era visto com bons olhos pela diretora e por alguns colegas que inclusive achavam que eu e essa outra colega-parceira escutávamos demais as queixas dos alunos.
         Sabíamos que não era um caminho fácil e nem com uma receita pronta, mas tínhamos certeza que uma escola só se constrói se isso passar pelas mãos de todos.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Escrevendo O PPP a muitas mãos

     Poucos documento são tão importantes dentro de uma escola quanto Projeto Político Pedagógico, contudo, a importância desse documento é proporcional ao esquecimento desse, seja nas nossas formações ou nas nossas tomadas de decisão.
      A construção dessa escola democrática é relativamente nova, sendo assim, como nos trazem as autoras Maria Beatriz Gomes e Mariângela Bairros
Talvez isso explique parte da resistência que ainda se observa em nossas escolas, quando os quadros docentes e demais segmentos da comunidade escolar são chamados para participarem do processo de formulação da/o PPP e do regimento escolar. Daí, a importância de dar destaque a esses dois instrumentos e de considerá-los espaços/tempos para a construção de uma escola pública democrática. 
       Desta maneira, da mesma forma que é preciso dar mais espaço e visibilidade para o Conselho Escolar, também é de extrema importância fazer isso com o Projeto Político Pedagógico, pois só assim construiremos uma escola de todos e para todos.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Conselho Escolar: Para quê? Para quem?

          Pude vivenciar de perto e frequentar algumas reuniões do Conselho Escolar de uma escola em trabalhei há algum tempo atrás e a lógica lá implantada era triste: o único motivo de existência do conselho era para dar validade às compras da escola. O presidente do Conselho, apenas servia para assinar os cheques.
        Tais práticas  estavam instauradas há algum tempo e muito me incomodavam, pois via-se aqueles pais, alunos e funcionários sem voz num espaço que seria para ampliar a sua fala e de representatividade.
          Hoje, ao ler sobre os textos sobre Conselho Escolar percebo que muitas coisas ainda seguem distorcidas nesse espaço e que por esse motivo, o poder público não leva em consideração esse espaço de fala tão importante. Talvez, se nós mesmos, professores, largássemos mão de deter todo o poder dentro da escola e realmente déssemos mais poder ao Conselho Escolar, esse pudesse ganhar mais força e visibilidade, garantindo mais direitos para a nossa comunidade escolar.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Metarefletindo

   Uma das propostas de atividade do Seminário Integrador nesse semestre foi revisitar os nossos portfólios de aprendizagem: os blog's! A proposta foi que, em duplas, cada uma pudesse visitar e fazer uma breve análise das postagens que foram realizadas no primeiro e segundo semestre do curso, tanto das suas quanto as da colega.
   Formei dupla com a minha querida colega Naiara e claramente pude observar, tanto nas postagens dela quanto nas minhas (e essa análise foi acordada entre nós duas) que ambas crescemos muito em relação ao que postamos e como postamos. Além da própria escrita ter evoluído a qualidade no conteúdo das postagens também aumentou.
   Particularmente, parece que tenho me deslocado do lugar que vinha ocupando até aqui, reconhecido-me como escritora, assim como Trece (2003, p.15) nos traz que "O escritor seria aquele que bascula: que sai da posição de escriba ou de escrevedor para ocupar uma outra relação com aquilo que escreve, permitindo se arriscar: traçar o papel, deixando marcas derramadas[...]". 
    Desta maneira, reconheço a importância do que escrevo e a responsabilidade que tenho ao vir até aqui e promover um pouco de reflexão, seja para mim ou para outrém. Não consigo mais vir até aqui sem ter algo realmente relevante a comunicar. Guardei os desabafos para as conversas informais com as colegas do curso de PEAD e decidi fazer deste espaço um lugar essencialmente de reflexão, a qual precisa fugir dos achismos e encontrar argumentação e embasamento teórico o suficiente para que eu possa qualificar e até transformar a minha prática docente.


Tecendo saberes

    E no dia 31 de maio, na nossa aula presencial, encerramos um ciclo na interdisciplina de Psicologia da Vida Adulta, o qual teve início com a proposta de trabalho das professoras Luciane e Tânia que consistia em, após as leituras iniciais, escolhermos um tema dentro da vida adulta que nos chamasse atenção, causasse inquietude ou apenas curiosidade, levantando um problema e as certezas temporárias e as dúvidas provisórias a respeito dele.
    O nosso grupo, formado por mim e pelas colegas: Ana Paula, Melissa, Natália e Naiara escolheu "Frustração" já que depois de algumas conversas concluímos que chegamos num ponto da vida que as vezes parece que seremos engolidas por elas, seja na vida pessoal ou profissional. Desta maneira, após aberto um fórum no moodle, postamos as nossas pesquisas referentes ao tema, tecendo o trabalho, fazendo as ideias conversarem entre si e convergirem num mesmo ponto.
    Ao chegarmos ao final do processo que se deu ontem e olharmos para trás, podemos observar que construímos muito (auto) conhecimento ao decorrer dessa interdisciplina, inclusive, para além da pesquisa, podemos destacar o modo que o trabalho se deu: de forma colaborativa. Para elucidar tal aprendizagem, REAL(2011, p.05) nos traz que
A caminhada realizada até aqui nos possibilitou tratar de duas questões importantes na perspectiva da aprendizagem. A primeira delas é que o aprender está relacionado à produção de si, a uma relação identidária, que não é individual, pois se forja em um coletivo, mas que tem uma marca singular, por se configurar de acordo com as experiências vividas. Outra idéia importante é que o aprender também transforma o outro (o mundo) pelo potencial problematizador que instaura. 
    Sendo assim, mesmo sabendo que não é fácil construir um trabalho colaborativo, muito devido a nossa cultura individualista que foi moldada com tanto esforço nas escolas da vida, tecer um trabalho a dez mãos, como foi o nosso, de forma colaborativa, possibilitou a nós outras aprendizagens mais, as quais pode-se dizer que foram realmente significativas, construídas, onde o olhar que o outro lançava sobre a minha pesquisa pôde me levar mais longe seja na argumentação ou no pensar sobre. O que fica é a vontade ainda maior de dar seguimento ao Projeto de Aprendizagem proposto na interdisciplina de Projeto Pedagógico em Ação dentro das turmas para que elas também possam ir além, voar mais alto, construir cada conhecimento com real significado e em colaboração.